Temos de ter noção de que as alterações climáticas não são um fenómeno recente. Ao longo da história do nosso planeta existiram vários episódios em que o clima mudou radicalmente, como por exemplo a idade do gelo. As eras glaciares sucederam-se ao longo dos últimos milhões de anos, ocorrendo com frequências e 40000 a 100000 anos. Há muitos milhões de anos as alterações climáticas tinham como origem, unicamente, causas naturais.
Actualmente a grande maioria dos cientistas concorda que tais alterações se devem a crescentes concentrações de gases de efeito de estufa que mantêm o calor na atmosfera e que são causados pela actividade humana. Nos últimos anos, estudos feitos por cientistas que estudam as alterações climáticas(AC), concluíram que a poluição das fábricas, a produção de electricidade, o consumo de gasolina tem um impacto negativo no clima. Em 1990, num relatório do Painel Intergovernamental das Alterações climáticas ( organismo internacional que se dedica ao estudas das AC),é corroborada cientificamente a existência de AC. Este facto impulsionou decisores e políticos para a assinatura, em Junho de 1992, no Rio de Janeiro, da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas. Esta Convenção, tinha como objectivos estabilizar as concentrações dos GEE(gases de efeito de estufa) na atmosfera, a um nível que evitasse interferências perigosas das actividades humanas no sistema climático do Planeta. Nas últimas décadas a crescente utilização dos combustíveis fósseis elevou para níveis preocupantes o efeito de estufa. Durante o séc XX, a temperatura média do ar aumentou globalmente cerca de 0,6ºC e na Europa, 1ºC. Os níveis do mar subiram entre dez a vinte centímetros e actualmente estão a subir cerca de dois milímetros por ano.
As projecções para o futuro não são mais animadoras. Caso o aquecimento global continue, prevê-se uma catastrófica realidade nos próximos vinte e cinco anos, com cerca de 300.000 pessoas a morrerem por ano devido ao aquecimento global, segundo a informação recolhida por Al Gore e a sua equipa. O nível do mar poderá aumentar até 6 metros( 20 feeet segundo os cálculos de Al Gore), com o degelo na Antárctica e da Gronelândia devastanto todas as zonas costeiras. A temperatura aumentrá significamente e com isso suceder-se-ão os incêndios e as secas. Mais de um milhão de espécies tenderão á sua extinção e prevê-se que até 2050 o oceano Árctico estará livre de gelo.
Em Portugal, segundo os dados do Instituto Meteorológico, no período de 1980 a 2000 deu-se um acréscimo da temperatura da água do mar.Este facto poderá ter promovido a alteração dos padrões de distribuição e abundância de algumas espécies ao longo da costa. A amplitude térmica tem vindo a decrescer em muitas estações climáticas acompanhada por um aumento de frequência de secas severas e redução da duração da estação chuvosa. Portugal, com grandes extensões rochosas, muitas vezes com arribas de grande altura, não é dos países mais vulneráveis à elevação do nível médio do mar. Contudo tem uma grande extensão de praias arenosas e áreas lagunares as quais reflectirão seguramente essa elevação. Os impactes mais relevantes serão o aumento do risco de inundação, a deslocação das zonas húmidas e a aceleração da erosão da zona costeira. As zonas mais preocupantes, ou onde as consequências da elevação do nível médio do mar serão as das lagunas de Aveiro e da Ria Formosa, separadas do oceano por cordões arenosos, que poderão desaparecer. Lagunas mais pequenas como Óbidos ou Albufeira sofrerão impactes. Nas zonas estuarinas( espaço de nidificação de muitas espécies de peixes com interesse comercial), as alterações atingirão elevada magnitude, principalmente as do Tejo e do Sado, com perda de terrenos agrícolas e de grande parte de sapais, bem como inundações de zonas baizas vizinhas. Em Portugal poderão surgir condições para novas culturas, como o algodão.Contudo, o impacto económico na agricultura nacional vai depender de muitos factores e as modificações exercidas pelos fenómenos climáticos vão variar de cultura para cultura.
Reconheco também, apesar da informação que recolhi, a difícil previsão das implicações de Alterações Climáticas associadas ao aumento das concentrações de GEE(gases com efeito de estufa), a nível global, regional e local, dada a grande diversidade de factores ambientais em tema, o elevado grau de incerteza dos acontecimentos que as provocam e do funcionamento global do sistema atmosférico terrestre.