“Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades”
ONU, Comissão Brundtland, 1987
O conceito de desenvolvimento sustentável remonta ao século XVIII, mais precisamente à tese de Malthus de que o meio ambiente (a capacidade de produção de alimentos) impõe limites à expansão da população humana.
Esta tese foi sem duvida a primeira aproximação ao conceito de desenvolvimento sustentável embora não tenha sido criada com esse intuito, mas é uma ideia base do que depois de foi desenvolvendo ao longo dos anos, principalmente durante os anos 60 e 70 do século passado.
No fundo a concretização desde conceito prende-se com a necessidade de consciencializar a população mundial para um problema que se coloca desde sempre, mas que foi colocado de parte durante séculos.
Se recordarmos a revolução industrial Britânica do século XXIII a imagem das chaminés e do céu cinzento que era visto como um factor de desenvolvimento, nos dias de hoje seria olhado como pura poluição, alias nos dias que correm quando se observam as chaminés das fabricas e os fumos propagados somos levados a pensar de imediato que se trata de poluição.
Os conceitos mudam e as mentalidades também, sendo que as mentalidades evoluem talvez de forma demasiado demorada para o tempo que o nosso planeta que já se encontra em risco tem.
No meu entender o problema do desenvolvimento sustentável que é observado sobre um prisma de necessidades das gerações vindouras, devia ser olhado de uma outra forma, obviamente que as gerações vindouras têm todo o direito a ter um planeta saudável e sustentado para nele viverem, mas a questão fundamental a meu ver é o próprio planeta.
O planeta terra já existia antes do ser humano e era um lugar equilibrado, colocando a mão sobre a consciência temos que chegar à conclusão que nem sequer seria necessário estarmos a escrever sobre desenvolvimento sustentável, não fosse a acção do homem no planeta.
Durante muitos anos que se cometeram verdadeiros crimes contra o meio ambiente, olhados antes como evolução/desenvolvimento, neste momento começamos a sofrer as consequências dos actos das gerações anteriores e mesmo da nossa, o aquecimento global, o consequente degelo dos glaciares e também consequente subida do nível do mar provocando o verdadeiro desaparecimento de km de praia. Estamos num momento crucial, o planeta é frágil e está mais frágil que nunca, é necessário agir, consciencializar populações e acima de tudo os líderes mundiais, que por razões económicas ignoram os avisos da natureza.
É vital para o planeta e para haver desenvolvimento sustentável que se construam politicas estratégicas para este tema, até agora o que se tem verificado em Portugal, na Europa e um pouco por todo o mundo é que as politicas têm andado um pouco ao sabor do peso dos lobbys, de interesses de países, de empresas, de ambientalistas, em suma ao sabor de interesses instalados. Como consequência as politicas e estratégias para o desenvolvimento sustentável não só têm pecado por atraso, como também por confusão, desarticulações e contradições, e, mais preocupante ainda sem um plano estratégico definido e prático.
Os pontos mais importantes que eu gostava de sublinhar, como tópicos fundamentais para um plano estratégico são os seguintes:
- Integrar o ambiente nas outras políticas.
- Colaborar com o mercado, visando padrões de produção e consumo mais sustentáveis.
- Realçar a importância do ordenamento e gestão do território.
- Melhorar a aplicação da legislação em vigor.
As áreas nas quais deve haver uma maior intervenção são fundamentalmente:
- Protecção do solo.
- Conservação dos ecossistemas marinhos.
- Utilização sustentável dos pesticidas, integrada numa abordagem estratégica da gestão internacional de substâncias químicas.
- Reforço de uma política coerente e integrada para a qualidade do ar.
- Ambiente urbano.
- Gestão e utilização sustentável dos recursos.
- Reciclagem dos resíduos.
Para terminar, pretendia apenas deixar a mensagem que é necessário o desenvolvimento sustentável partir de cada um de nós, cada individuo tem a capacidade de mudar algo, se todos reciclarmos, se todos escolhermos produtos biológicos, se todos dermos prioridade a produtos designados “verdes”, se todos nos preocuparmos, consequentemente também os governos e lideres mundiais não poderam ignorar o problema grave que vivemos!