Nos primórdios do século XXI tornou-se impossível ignorar o facto de as pessoas que vivem neste planeta estarem intrinsecamente ligadas entre si pelo ar que respiram, pelo clima do qual dependem, por aquilo que comem e pela água que bebem. Apesar desta lição óbvia de interdependência, os ecossistemas do nosso planeta estão sujeitos ao contínuo assalto humano de forma a assegurar estilos de vida de desperdício.A Natureza é considerada um "recurso" a ser usado instrumentalmente para satisfazer os desejos do Homem e julgo que a manifestação mais extrema deste paradigma antropocêntrico reflecte-se nos valores e nas crenças dominantes do consumismo.
Não haja dúvida de que alguns dos maiores desafios ecológicos que o mundo enfrenta hoje são os problemas que afligiam as civilizações nos tempos remotos. Até à chegada da Revolução Industrial, a degradação ambiental era relativamente localizada e ocorria ao longo de milhares de anos. Contudo, nas últimas décadas, a escala, a rapidez e o grau de declínio ambiental não têm precedentes.
Algumas das mais nefastas manifestações da globalização na deterioração ambiental são o crescimento descontrolado da população e os padrões desmesurados de consumo. Com a possível exclusão de algumas espécies de roedores, o ser humano é o mamífero mais numeroso à face da Terra. O forte incremento das necessidades de alimentos, madeira e fibra exerceu uma enorme pressão nos ecossistemas do planeta. Actualmente, vastas áreas a superfície do planeta, especialmente em regiões áridas e semiáridas deixaram já de ser biologicamente produtivas.
As preocupações com o crescimento populacional e a degradação ambiental não se concentram geralmente, de forma muito significativa, e níveis populacionais de conjunto. Contudo, o impacto global dos seres humanos no ambiente é tanto em função do consumo per capita como da dimensão total da população.
As alterações climáticas induzidas pela acção humana, tal como o aquecimento global, são outro exemplo de mudança significativa quer na intensidade, quer na extensão dos problemas ambientais contemporâneos. O efeito de estufa resultante do rápido aumento de emissões de gás, incluindo dióxido de carbono, metano,clorofluorcarbonos, óxido nitroso, entre outros,é responsável pelo aumento da temperatura à escala mundial.
A poluição além- fronteiras representa um outro perigo grave para a nossa sobrevivência colectiva. A emissão de vastas quantidades de químicos sintéticos para a natureza e para a água criou condições para a vida animal e humana que saem dos limites das experiências biológicas anteriores. Por exemplo, os clorofluorcarbonos têm sido utilizados como refrigerantes não inflamáveis ou propulsores de aerossóis.
Talvez o problema mais terrível associado à globalização da degradação ambiental da nossa época, seja a destruição da biodiversidade a nível mundial. E uma vez que temos de abraçar a lógica inexorável da globalização, sendo ela irreversível,e a não ser que estejamos dispostos a modificar a estrutura subjacente de valores culturais que sustenta esta dinâmica ameaçadora, a saúde da Terra irá provavelmente deteriorar-se ainda mais.