É um facto incontestável que a água é essencial para a vida na Terra.
Em muitas culturas, o medo da seca deu lugar a ritos de invocação de chuva.
Para poder germinar a semente precisa de um solo húmido, e em relação ao desenvolvimento dos organismos animais também ele requer um meio líquido. O próprio corpo humano é composto por 2/3 de água. Mais ainda, hoje em dia pensa-se que a vida surgiu no fundo dos oceanos, há mais de três milhões de anos.
Contudo, as mitologias não esperaram pela ciência moderna para realçar com veemência a ligação entre a água e a vida:na maioria dos mitos sobre a origem do cosmos é um oceano que antecede a criação do mundo. São inumeráveis os relatos e lendas em todas as culturas:regeneração do corpo, juventude eterna...
A água é tão desejada quando falta como é angustiante quando abunda de um modo incontrolado. E embora o homem tenha aprendido a dominar o fogo, nunca foi capaz de combater eficazmente as inundações. Por esta razão o dilúvio é, em inúmeras culturas, a expressão directa da ira divina, de um desejo de destruição inapelável.
As águas que antes eram boas para beber, tornaram-se, em muitos pontos do globo, negras e pútridas.
Assim se começa a tomar consciência que os maus hábitos de higiene da civilização urbana podem ter efeitos perversos. Esta desenvolve-se com uma rapidez extraordinária e infelizmente a urbanização e a demografia adaptam-se mal ao regime natural das águas. As águas precisam de tempo e espaço para se regenerarem e a demografia e a urbanização não podem proporcionar- lhes nem uma coisa nem a outra.
A água não conspurcada nem contaminada por venenos lentos é algo que felizmente ou infelizmente, uma grande parte da humanidade ainda desconhece.
O que iremos beber nos séculos seguintes?
A penúria é já visível em muitas sociedades e não tarda muito tornar-se-á um factor de violência, porque todos os recursos escassos são alvo de disputa.
A ordem mundial não pode permitir uma guerra da água mas não será por apelo a meras orações ou por magia que a conseguiremos evitar.Urge por isso a mudança dos comportamentos.
O que há a fazer é alterar os nossos hábitos de consumo e de utilização deste recurso como cidadãos e agentes económicos, de forma a garantir a manutenção de uma boa qualidade e quantidade de água potável disponível. Sendo a água um elemento insubstituível, sem uma adequada gestão da água que tenha em conta este novo conceito não será possível garantir o funcionamento do ambiente, da economia e da própria sociedade.
Consulte-se a nível de legislação nacional: O Decreto do Presidente da República nº147/2008-Ratificação do Protocolo de Revisão da Convenção sobre Cooperação para a Protecção e o Aproveitamento Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas Luso-Espanholas.; a Resolução da Assembleia da República nº62/2008-Aprova o Protocolo de Revisão da Convenção sobre Cooperação para a Protecção e Aproveitamento Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas Luso-Espanholas.;a Lei nº 13/2007-Autoriza o Governo a aprovar o regime de utilização dos recursos hídricos.